bichectomia-procedimento

Bichectomia é o nome dado a um procedimento que tem se tornado popular e ganhado vários adeptos no Brasil. Este procedimento consiste na retirada de um tecido gorduroso, localizado nas bochechas, entre os músculos masseter e bucinador, conhecido como bolas de Bichat. Este tecido ganhou esse nome por ter sido descoberto pelo anatomista e fisiologista francês Marie François Xavier Bichat, pioneiro nos estudos do corpo humano, conhecido pelas suas contribuições relativas à patologia dos tecidos do corpo humano.

Acredita-se que as bolas de Bichat auxiliam na sucção dos bebês durante a amamentação, fornecendo também proteção dos ramos bucais do nervo facial, porém perdem sua função na fase adulta. Em adultos, este tecido gorduroso não possui função estrutural, funcional ou de sustentação.

Uma das perguntas mais frequentes que recebo no meu consultório é se a bichectomia vai causar algum aspecto de envelhecimento ou acelerar o processo do mesmo. Acredito que esta dúvida se dá por estarmos falando de uma retirada de gordura – quando uma pessoa está com sobrepeso e emagrece rapidamente é normal que crie flacidez na pele. Mas o mesmo não ocorre com a bichectomia pois a mesma consiste na retirada uma gordura intermuscular e profunda. Outro aspecto é que a bola de Bichat é uma gordura extremamente mole não dando sustentação no rosto adulto, apenas preenchendo e criando volume. Essa técnica já vem sendo realizada há muito tempo em outros países como uma forma de rejuvenescimento facial.

Contraindicações e riscos

Como em qualquer procedimento estético, existem contraindicações e riscos, e o paciente deve passar por uma avaliação criteriosa realizada por um profissional capacitado, que deve analisar a indicação do procedimento. Somente o profissional habilitado poderá avaliar se o volume de bochechas que incomodam o paciente se dá devido às bolas de Bichat, ou se é resultado de outro motivo, como hipertrofia do masséter, depósito de gordura ou mesmo devido ao padrão fácil braquicefálico. Nesses casos, indicamos o procedimento ideal para contornar a queixa do paciente, evitando, assim, frustrações com o resultado.
Indicação funcional e estética

Existem dois tipos de indicação para esta cirurgia: indicação estética, onde o paciente possui um rosto com formato arredondado nas laterais, com pouco realce na linha da mandíbula ou maçãs do rosto; e indicação funcional, quando o paciente se queixa por morder a parte interna das bochechas, gerando sangramento ou até mesmo doenças da cavidade oral, provocando mau hálito. Em casos mais extremos, essas lesões podem gerar cáseos amigdalianos – pequenas bolas esbranquiçadas ou amareladas, localizadas na garganta, que também geram mau hálito.

No caso da indicação estética, é importante que o profissional saiba avaliar o formato do rosto do paciente e que preveja o resultado estético da cirurgia. Por exemplo, em pacientes com o rosto em formato triangular ou alongado/ovalado, a cirurgia potencializará esse formato, exigindo uma avaliação sobre o provável resultado e se ficará esteticamente agradável ao paciente. Em contrapartida, em rosto arredondados ou quadrados, a bichectomia criará um contorno para estes formatos de rosto, que é, normalmente, o objetivo dos pacientes em relação à estética do rosto.

Como é o procedimento?

A bichectomia é considerada um procedimento cirúrgico relativamente simples com duração média de 40 minutos. Iniciamos a cirurgia com anestesia local, aplicada na parede interna das bochechas, e então criamos uma pequena incisão de 1 a 2 centímetros e, com uma tesoura fina (metzembaum) ou pinça hemostática divulsionamos as fibras – a tesoura entra fechada e, em contato com o músculo bucinador, abrimos a mesma até encontrar o corpo de Bichat. Este tecido é consideravelmente sensível e é importante preservar sua estrutura. Portanto, com uma pinça dietrich longa e fina, pinçamos o mesmo e puxamos suavemente fazendo movimentos leves e circulares. Na grande maioria dos casos as bolas de Bichat não são completamente retiradas.

Todo o complexo adiposo pode ser dividido em 3 partes: a extensão bucal, a extensão supero medial e a extensão temporal. O efeito blush que buscamos é ocasionado pela extensão bucal, portanto é esta parte que retiramos. É possível planejar remover quantidades diferentes entre as duas bochechas, visando corrigir assimetria, porém essa decisão é tomada em casos de assimetria considerável, mas este equilíbrio ainda é pouco previsível.

Pós-operatório e resultados

O pós-operatório é muito semelhante à extração de um terceiro molar e exige cuidados por até uma semana. É possível que o paciente sinta dor local e apresente inchaço e hematoma. Esses sintomas são consideravelmente diminuídos quando o paciente obedece às indicações de repouso, não participando de atividades físicas, mantendo também uma alimentação predominantemente líquida, fria e pastosa, e também tomando corretamente a medicação indicada, que normalmente são anti-inflamatórios, antibióticos e analgésicos. Se faz o uso de corticoides com a dosagem dobrada uma hora antes do procedimento e uso de laserterapia logo após a cirurgia na tentativa de trazer uma pós-operatório mais previsível.

O resultado final da bichectomia se dá em três meses, mas já na segunda semana é possível notar uma diminuição considerável do volume das bochechas, com realce nas mandíbulas, além de cessar quase imediatamente os traumas internos causados por mordidas nas bochechas.

Como toda cirurgia, a bichectomia pode ter complicações. As adversidades mais comuns são hemorragias e infecções locais, mas também é possível que ocorram danos aos ductos salivares ou aos nervos da face, gerando uma paralisia ou sensação de dormência em parte do rosto. Na grande maioria das vezes essas adversidades são tratáveis com laserterapia e terapia medicamentosa para tal.

O procedimento é irreversível – uma vez realizado, não é possível recolocar o mesmo material gorduroso nas bochechas ou mesmo que cresçam de novo. Mesmo havendo ganho de peso, o mesmo material gorduroso não volta a se acumular no local. Por conta disso é extremamente importante ter sido feita uma avaliação correta e criteriosa, expondo os riscos e possíveis resultados através de maquiagem ou editores de fotos.

O que podemos concluir é que a combinação de uma avaliação criteriosa, profissionais habilitados, pacientes corretamente indicados e técnicas comprovadamente efetivas e uma boa dose de bom senso, é possível conseguir um resultado de sucesso na cirurgia de bichectomia, sem complicações ou ocorrências inesperadas.

 

Artigo escrito por Israel Ramos, cirurgião dentista e especialista em Implantodontia.

CRO 5.323

Instagram: @dr.israelramos

 

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