Caso clínico 5

O esmalte dental é constituído, aproximadamente, de 96% de material inorgânico e apenas 4% de matriz orgânica e água. A Hipoplasia do Esmalte ocorre quando há formação incompleta ou insuficiente da matriz orgânica, ocasionando danos às células formadoras do esmalte, os ameloblastos. Clinicamente, apresenta-se como manchas esbranquiçadas, rugosas, sulcos ou ranhuras, bem como, outras alterações na estrutura e cor do dente, comprometendo a estética do sorriso.

As causas podem ser classificadas como congênitas ou ambientais. As causas ambientais só poderão intervir na hipoplasia entre os 02 e 05 anos de idade, quando o esmalte ainda está em formação; uma vez já estruturado, dificilmente sofrerá influencia de tais fatores. Pode ocorrer de forma quase imperceptível (grau 1 ou suave).

Quando se apresenta de forma um pouco mais acentuada, com ondas ou sulcos horizontais de coloração normal, nas superfícies vestibulares dos dentes ou leve manchamento branco, é classificada como grau 2.

Nos graus mais acentuados (grau 3 ou severo), ocorre modificação do relevo, com estrias mais profundas, além de alterações mais severas na coloração, que pode ir de um branco intenso, passando por um amarelo pardo até negro.

Visto que a maioria das hipoplasias ocorrem na primeira infância, os dentes mais comumente afetados são aqueles que estavam em calcificação neste período: incisivos centrais e laterais, caninos e primeiros molares, com envolvimento geralmente dos terços médios e incisais.

Podemos apontar como suas principais causas: deficiências nutricionais (Vitaminas A, C e D); enfermidades como sarampo, varicela, escarlatina; sífilis congênita; hipocalcemia; prematuridade, eritroblastose fetal; infecção ou traumatismo local; ingestão de substâncias químicas, principalmente fluoretos.

A literatura recomenda várias técnicas para o tratamento estético das hipoplasias, devendose levar em consideração sempre a severidade do caso. Em situações menos severas, deve-se optar sempre pelas técnicas pouco abrasivas, como a microabrasão com pasta de pedra-pomes e ácido fosfórico a 35%, proposta por Mondelli et al. (1995). Porém, em casos mais severos, a técnica restauradora convencional, após remoção do tecido afetado com ponta diamantada, proporcionará certamente resultados mais satisfatórios.

Caso clínico

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O paciente G. A. J., 10 anos de idade, foi trazido pela mãe ao consultório em busca de uma solução para uma mancha hipoplásica envolvendo o terço incisal e parte do terço médio do dente 21, já com alteração severa de cor e rugosidade superficial, apresentando inclusive aspecto quebradiço na borda incisal.

Tendo em vista a severidade da mancha, a opção de tratamento escolhida foi a da remoção total da lesão com ponta diamantada esférica, com refrigeração, tomando-se o máximo cuidado para que não ocorresse a remoção de tecido sadio.

Para tal procedimento, como havia envolvimento da dentina, optou-se pela anestesia local do elemento 21. Feita a remoção, passou-se para o ataque ácido com ácido fosfórico a 35%, por 15 segundos, seguido de lavagem abundante com água destilada.

Par tal procedimento, os dentes vizinhos foram isolados por tiras de poliéster. Após leve secagem, com o intuito de manter a dentina parcialmente úmida, foi aplicado o adesivo Gluma 2 Bond, HERAEUS KULZER, de acordo com as recomendações do fabricante.

Após a fotopolimerização de 20 segundos foram removidas as tiras de poliéster, que preservaram totalmente os dentes adjacentes de qualquer ação do ácido/adesivo. A resina selecionada para o caso foi a Charisma Diamond, HERAEUS KULZER, tendo em vista suas propriedades de excelente resistência e alta capacidade de mimetismo.

A primeira camada aplicada foi de cor translúcida (CL) na face palatina, pois uma parte do esmalte desta região estava também afetado pela hipoplasia, tendo que ser removido. A inserção foi com espátula apropriada, a mão livre, buscando sempre reproduzir o contorno anatômico incisal do dente homólogo (11), intacto.

A camada seguinte foi aplicada por vestibular, na região dos mamelos, tendo sido escolhida para tal a cor B2, tomando-se o cuidado de reproduzir os sulcos pertinentes a esta porção do dente, o que possibilitará a criação de um efeito mimético.

Para finalização, foi aplicada novamente uma cor translúcida, a CL, recobrindo os mamelos recriados e toda a face vestibular afetada. Na extrema borda incisal, o halo opaco foi recriado com um delgado incremento filamentar de uma cor para dentes clareados (XL), também recoberto pela massa translúcida.

Cada camada foi polimerizada por 20 segundos. Enfim, foi realizado o polimento com discos de lixa, pontas siliconadas e pasta diamantada impregnada em disco de feltro.

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Conclusão

Logo após a finalização da restauração, a fotografia mostrou uma leve discrepância de valor, para menos, no elemento 11, pois os outros dentes, ao ficarem expostos e ressecados durante o procedimento, ficaram desidratados, apresentando um aspecto mais esbranquiçado que o normal. Após uma semana, foi realizada nova imagem do caso, evidenciando a equiparação da cor aos demais dentes.

O efeito final desta combinação de cores e texturas da Charisma Diamond foi uma restauração com excelentes resultados estéticos, mascarando perfeitamente a transição das massas, bem como a fusão destas ao esmalte sadio. Apresentou ainda ótimo polimento de superfície, deixando o pequeno paciente e sua mãe plenamente satisfeitos.

Autor:

Frederico dos Reis GOYATÁ

Doutor em Prótese – UNITAU – Taubaté-SP.  Pós Doutorando em Prótese – UNITAU – Taubaté-SP.  Professor dos Cursos de Pós Graduação em Prótese e Dentística da EAP-ABO. Barra Mansa-RJ; Pouso Alegre-MG; CIALF – Alfenas-MG; Funorte-Lavras-MG. Prof. de Clínica Integrada da Faculdade de Odontologia da UNIFAL – Alfenas-MG.

Fonte: Kulzer

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