Caso clínico 4

A Odontologia moderna tem passado por grandes avanços nos materiais dentários e nas técnicas restauradoras. Os procedimentos clínicos que priorizam devolver e reabilitar a estética aos dentes tem sido muito solicitados pelos pacientes, sendo necessário a reprodução destes com maior naturalidade. As fraturas radiculares são observadas com maior frequência nos dentes anteriores. Desta forma poderão comprometer a estética do sorriso bem como a função mastigatória, a fonética e o convívio social do paciente.

Para a restauração de dentes com tratamento endodôntico, os pinos intrarradiculares associados aos materiais resinosos constituem uma alternativa clínica fortalecendo a estrutura dental remanescente. Os pinos de fibra de vidro possuem módulo de elasticidade semelhante ao dente, são estéticos e ainda possuem adesão química ao remanescente dentário. Estes pinos são utilizados em diferentes situações clínicas: transfixação dentária, preenchimento de canal radicular, contenções e como estrutura de reforço coronário para núcleos.

O traumatismo dentário durante muitos anos foi um dos principais motivos de exodontias. Esta situação clínica, sempre que possível, deve ser solucionada ainda mais nos dentes anteriores, que tem alto grau de complexidade na estética do sorriso do paciente. Diante disto, a transfixação é um método que pode ser empregado para manter o dente fraturado na boca do paciente. A transfixação com auxílio dos pinos pré-fabricados de fibra de vidro é uma alternativa viável, por serem estéticos e possuir módulo de elasticidade semelhante ao dente.

Este trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico, demonstrando a transfixação de uma fratura radicular utilizando pino de fibra de vidro e resina composta.

Materiais e métodos

Paciente, gênero masculino, 26 anos, apresentou se a Clínica Integrada do Curso de Odontologia da Universidade Severino Sombra, Vassouras/RJ – Brasil queixando-se de dor. O paciente relatou que era lutador de MMA (Artes Marciais Mistas) e procurou por atendimento de rotina. Após exame radiográfico foi diagnosticada uma fratura vertical na raiz do dente 21.

Ao realizarmos o exame clínico observou-se aspecto de normalidade na coroa clínica e tecido gengival.

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Foi proposto ao paciente a transfixação do dente com pino de fibra de vidro e resina composta. Também foi relatado ao paciente que seria necessário realizar tratamento endodôntico. O paciente concordou com os termos do plano de tratamento.

Na sessão clínica seguinte, foi realizado o tratamento endodôntico com auxílio de um microscópio operatório. Sete dias após, procedeu-se a transfixação com um pino pré fabricado de fibra de vidro (Exacto Cônico, Angelus, Brasil).

O canal foi preparado, desobstruindo 2/3 do tratamento endodôntico. O pino #2 foi selecionado e recortado de modo que o preenchimento da porção coronária do dente fosse realizado. Após o recorte do pino, aplicou-se o agente silano (Angelus, Brasil) e adesivo BISGMA (Fusion Duralink, Angelus, Brasil).

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No canal, foi aplicado o ácido fosfórico 37% (Angelus, Brasil) por 30 segundo, lavou-se e secou-se com auxílio de cones de papel e aplicou-se o sistema adesivo (Fusion Duralink, Angelus, Brasil). O cimento resinoso foi preparado (Cement Post, Angelus, Brasil) e inserido no conduto radicular com auxílio de uma seringa Centrix.

O pino foi adaptado ao canal, após a inserção do cimento, aguardando a polimerização química do cimento. Para finalizar, realizou-se o preenchimento da porção coronária do dente com resina composta microhíbrida (Charisma Diamond, Heraeus, Alemanha) na cor A2 e fotoativada por 20 segundos.

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Em seguida foi realizado os ajustes oclusais e posterior acabamento da restauração. Foi realizada uma radiografia final, observando o sucesso do tratamento e o paciente foi orientado a comparecer de seis em seis meses para proservação do tratamento.

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Resultados e Discussão

O sucesso dos tratamentos restauradores adesivos aumentou a procura por parte dos pacientes, principalmente nos procedimento estéticos em dentes anteriores. O risco de fratura dentária esta diretamente relacionado com a qualidade e a quantidade do remanescente dentário.

As restaurações em dentes tratados endodonticamente promoverão estética, resistência, função com o objetivo de prevenir à micro infiltração marginal; já nos casos de fraturas dentais, deve restabelecer a linha de fratura, o que foi realizado neste relato de caso clínico. A fratura coronária compromete mecanicamente o dente, tornando-o mais suscetível às forças mastigatórias. Desta forma, a restauração temporária deve proteger o dente durante o tratamento endodôntico e as restaurações adesivas, principalmente as reforçadas com pinos de fibra de vidro, devem ser a terapia de escolha.

As fibras de vidro agem como uma banda rígida que quando esticados sobre a superfície dentária são resistentes fazendo uma ponte forte entre os fragmentos fraturados. Esta filosofia foi decisiva para se definir o tratamento restaurador para este relato de caso clínico. Os pinos de fibra de vidro apresentam excelente módulo de flexão e elasticidade semelhante ao dente, restaurado e minimizando a propagação das fraturas radiculares. Sendo utilizado constantemente em dentes com tratamento endodôntico com estruturas coronárias comprometidas.

No mercado há inúmeros sistemas de adesivos e cimentos resinosos e conhecer a compatibilidade entre cimentos e sistemas adesivos é importante para o sucesso no tratamento. Neste trabalho utilizou-se um cimento resinoso de polimerização química associado a um sistema adesivo multifuncional, com primer e adesivo aplicados separadamente.

Os avanços mais recentes nas técnicas adesivas proporcionam aos profissionais tratamentos clínicos mais eficientes e que primam pelo reforço da estrutura dental remanescente. Cabe ao cirurgião dentista realizar o diagnóstico correto e planejar o melhor tratamento restaurador. Considerações finais Os pinos pré fabricados de fibra de vidro devido as suas características biomecânicas constituem-se com o método de escolha para esta situação clínica, sendo um procedimento de simples manuseio e eficácia.

Autores:

Prof. Dr. Frederico dos Reis Goyatá

Doutor em Prótese, Professor Adjunto I do Curso de Odontologia da Universidade Severino Sombra (USS) – Vassouras-RJ. fredgoyata@oi.com.br.

Orlando Izolani Neto

Especialista em Implantodontia e Mestrando em Radiologia. Professor Assistente I do Curso de Odontologia da USS. orlando. izolani@hotmail.com.

Eryksson Souza de Souza

Acadêmico do Sexto Período do Curso de Odontologia da USS. eryksson.souza@gmail.com.

Fonte: Angelus Ciência e Tecnologia.

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