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Conhecida desde antes de Cristo, a Odontologia busca, hoje, mais respeito e a valorização no mercado de trabalho

Problemas relacionados à saúde bucal são datados desde antes de Cristo. O relato mais antigo refere-se a “lenda do verme”, mencionada entre o período de 5000 e 3500, da época citada. O famoso código de Hamurabi (2300 – 2250 a.C.) também referenciou, tempos mais tarde, problemas dentários e prática terapêutica.

Francisco Xavier Paranhos Coêlho, mestre em Odontologia e presidente do Conselho Regional de Odontologia da Bahia – CROBA, conta-nos que, segundo dados históricos, várias civilizações antigas deram suas contribuições para a Odontologia, entre elas: a egípcia, a grega e a romana.

Os achados mais importantes foram encontrados nos sarcófagos de povos fenício e etrusco, com dentes de animais ou até mesmo de humanos, que foram adaptados, por meio de fios ou anéis de ouro, nos remanescentes dos dentes de múmias. No período, acreditava-se que o sol curava todas as doenças, inclusive a cárie.

As pessoas dispostas a cuidar da saúde bucal contavam com instrumentais rudimentares e adaptados para exercer a função sem embasamento científico. “As exodontias eram mais frequentes, passando por adequações com base na anatomia dos dentes e sua aplicação, este fato ocorreu a partir de 1700 d.C. O ‘pelicano’ foi o fórceps mais utilizado e com características mais corretas para sua função”, elucida Francisco.

As primeiras instituições de ensino surgiram no ano de 1249. Estavam entra elas a Universidade de Oxford, nos Estados Unidos, criada por William of Dunham. “A figura do dentista apareceu na pessoa de Pierre Fauchard (1678-1761), médico francês que produziu e publicou, em dois volumes, sua obra-prima “Le Chirurgien Dentiste”, em 1728, tornando-se o Pai da Odontologia. Em 1746, o dentista francês Claude Mouton publicou o primeiro trabalho sobre prótese, descrevendo sobre facetas para dentes anteriores e grampos para próteses parciais. O dentista Lecluse, em 1754, confeccionou uma alavanca para extração dos terceiros molares. Philip Pfaff, em 1756, ensinava, em seu primeiro livro da Odontologia alemã, a realizar preparos de modelos de gesso para confecção de prótese dentária e a utilizar o capeamento pulpar. Cabe lembrar que o uso de dentes de porcelana ocorreu no final do século”, conta o também doutor em Odontopediatria.

A história ainda afirma que o atendimento era realizado na residência do próprio dentista e, logo depois, surgiram os primeiros consultórios, coincidindo com o surgimento da primeira cadeira odontológica, nos Estados Unidos, desenvolvida pelo dentista Philip Pfaff, entre os anos de 1790 e 1812.

Com a percepção da necessidade de métodos preventivos, as técnicas, meios e métodos de higiene bucal passaram por grandes transformações. “George Green foi o responsável pela criação do primeiro motor elétrico, sendo introduzido no mercado pela companhia S. S. White. No final de 1800, o americano C. Edmund Kells modernizou o consultório odontológico, usufruindo da eletricidade. A primeira cadeira totalmente metálica foi fabricada em 1871, mas a de madeira ainda fazia parte da rotina dos consultórios”, explica o cirurgião-dentista.

Francisco expressa que, no ano de 1884, alemão Carl Koller descobriu a anestesia tópica a base de cocaína. O sugador, inicialmente, era acionado pela passagem de água, mas foi modernizado e introduzido em 1882. Ivor Norlén, da Suécia, em 1956, patenteou a turbina a ar. O equipamento atingia velocidade de 70.000 rotações por minuto (rpm), enquanto Page-Chaves, em 1958, introduziu a peça de mão, com o objetivo de funcionar com a velocidade em torno de 10.000 rpm.

Hoje, os profissionais de saúde bucal contam com equipamentos odontológicos modernos, mais confortáveis e anatômicos, obedecendo às normas da ergonomia, oferecendo facilidade e boas condições de trabalho para o profissional. “As técnicas contemporâneas e o conhecimento ainda mais científico das doenças bucais e dos materiais odontológicos resultaram em uma Odontologia moderna, menos invasiva e mais preventiva e/ou interceptativa. Os dentistas têm a oportunidade de realizar procedimentos mais conservadores e materiais mais biocompatíveis”, comemora Francisco.

O doutor em Odontopediatria e também especialista em Ortodontia e Ortopedia Funcional ressalta que, com técnicas mais apuradas, equipamentos e instrumentais mais adequados e materiais odontológicos biocompatíveis e propriedades melhoradas, a Odontologia se viu, cada vez mais, na necessidade de oferecer a população serviços especializados, com objetivo de promover ou restabelecer a saúde. “Os cirurgiões-dentistas começavam a atuar em áreas mais específicas. Desta forma, estes profissionais se tornaram especialistas nas suas áreas. Foi neste momento, que surgiram os cursos de especialização”, explica.

A ânsia por mais conhecimento foi o grande estopim para que os profissionais percebessem a necessidade de criar as especialidades dentro da Odontologia, com tecnologia mais específica e aprofundada. Hoje, o Brasil concentra 19% dos dentistas de todo o mundo, e possui, coincidentemente, 19 especialidades aprovadas pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO).

Além dos 19 segmentos da Odontologia, já aprovados pelas autoridades em saúde bucal, o panorama atual aponta para novas especialidades aguardando aprovação, fato que confirma a importância do processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento na Odontologia brasileira. “No momento, a Odontologia vive uma discussão sobre novas especialidades. Acredito que estudos devam ser realizados para dar embasamento teórico-científico para definição de novos segmentos. É pertinente a criação de momentos de discussão, momentos estes que estão sendo promovidos pelo CFO, para que a decisão seja tomada de forma consciente e documentada”, afirma Francisco.

Odontologia brasileira
Com mais de 250 mil cirurgiões-dentistas devidamente cadastrados, a Odontologia no Brasil pode ser considerada uma das melhores do globo. Os cursos de graduação de Odontologia, hoje, permitem práticas adequadas à realidade de cada região, promovendo ações e programas preventivos para a redução do índice de cárie e passando informações de prevenção, além da execução de procedimentos curativas, quando for o caso. “Os profissionais procuram estar capacitados, realizando cursos de aperfeiçoamento e/ou especialização para dar melhor atendimento para população”, afirma Francisco.

O cirurgião-dentista enfatiza que, no ano de 2003, o Governo Federal realizou o primeiro estudo epidemiológico (Projeto SB Brasil), abrangendo todas as capitais do Brasil e municípios do interior. “Podemos perceber que nesta pesquisa, o índice CPO (dente cariado, perdido e obturado) aos 12 anos foi igual a 2,8. Em pesquisa mais recente, SB Brasil 2010, este índice passou para 2,1, isto representa uma redução de 25%. No índice correspondente aos dentes não tratados (cariados), a redução foi de 29%, passando de 1,7 para 1,2. Em adolescentes, a redução foi ainda maior, de 39%, em 2003 foi de 2,8 e em 2010, 1,7”, celebra.

Apesar de apresentar tantos resultados positivos, e carregando o título de melhor Odontologia do mundo, somos reconhecidos como o país dos desdentados. Francisco, que defende a reversão desta triste contradição, diz que o Brasil tem apresentado índices mais favoráveis em relação à saúde bucal. “Os dados têm sido animadores. A doença cárie ainda é uma realidade nos consultórios odontológicos privados e nos serviços públicos, porém, tem diminuindo a cada ano, devido aos programas do governo, serviços oferecidos nas faculdades de Odontologia, dando importância às ações preventivas”.

Atualização sempre
Com um mercado altamente concorrido, existe a real necessidade da capacitação constante. Hoje, grande parte dos pacientes adentra o consultório odontológico sabendo sobre novas técnicas aplicadas na Odontologia. É preciso ressaltar que, cabe ao cirurgião-dentista saber lidar, de maneira ética e saudável, com este novo perfil de cliente, o cliente exigente.

Francisco aponta que, com a facilidade e importância da internet na rotina de toda a população, ficou mais fácil e rápido obter informações sobre todos os assuntos. “Na Odontologia não é diferente. A curiosidade do paciente faz com quem o mesmo procure saber informações para sanar sua dúvida, acessando sites confiáveis para obter mais detalhes sobre o tema. Isto é positivo, pois o profissional deve estar atento às novidades, informando a seus pacientes sobre a área de atuação e esclarecendo possíveis dúvidas que ainda possam existir. Essa ampla visão faz com que os profissionais procurem se atualizar, participando de eventos científicos, buscando aperfeiçoamento nos cursos promovidos pelas entidades de classe ou instituições de ensino”.

 

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Autora: Vanessa Navarro
Fonte: www.odontomagazine.com.br

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