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Síndrome da Ardência Bucal: o que dentistas devem saber

Síndrome da Ardência Bucal: o que dentistas devem saber

Diagnosticar a Síndrome da Ardência Bucal (SAB) pode ser muito complexo, afinal, estamos falando de uma condição multifatorial, que precisa de investigação aprofundada e, até mesmo, do apoio de outros profissionais da área da saúde, como otorrinolaringologista.

É comum pessoas chegarem ao consultório em busca de uma solução para todo o mal-estar causado pela SAB e, por falta de conhecimento da parte do cirurgião-dentista, o paciente sair frustrado e sem qualquer orientação de como proceder.

De acordo com o Código de Ética Odontológica, é dever do profissional de odontologia manter os conhecimentos atualizados para atender de forma plena os pacientes. Portanto, aprofundar-se e buscar informações sobre a Síndrome da Ardência Bucal é crucial.

Para ajudar você, preparamos este conteúdo com alguns conceitos sobre a síndrome, que irão permitir uma breve orientação para quem quer se aprofundar no tema. Boa leitura!

O que é Síndrome da Ardência Bucal?

Provavelmente, você já deve conhecer esse conceito, entretanto, vale a pena relembrá-lo para refrescar a memória! Para isso, vamos recorrer ao artigo “Síndrome da Ardência Bucal: uma revisão de literatura”.

De acordo com o material, a SAB é um transtorno sensitivo crônico, sem qualquer lesão e que vem acompanhada de diversos sintomas, assim como tem diversas causas. Ela pode, também, ter outras nomenclaturas, como glossodinia, glossopirose, síndrome da boca ardente, estomatodinia ou síndrome dos lábios ardentes.

É comum encontrarmos em literaturas da área muitos dizeres sobre as dificuldades de diagnosticar e tratar a síndrome, já que, como vimos, ela pode se apresentar de forma muito subjetiva, em sintomas diferentes e dores sem lesões. Além disso, ainda existem poucos critérios para identificar as causas da SAB.

A Síndrome da Ardência Bucal é mais comum em pessoas dos 55 aos 60 anos e, em geral, acomete mulheres que estão no período pós-menopausa.

O artigo “Síndrome da Ardência Bucal: avaliação e tratamento” explica que o transtorno é pouquíssimo comum em pessoas com menos de 30 anos e, nas crianças, nunca houve registros.

Etiologia

Ainda há poucas respostas sobre a etiologia da SAB, entretanto, recentemente, alguns conceitos novos têm sido trabalhados, o que pode facilitar um pouco a vida dos cirurgiões-dentistas, já que o grande desafio é entender as causas da síndrome

Mulher branca de meia idade com dores

O tratamento da Síndrome de Ardência Bucal deve considerar os fatores que podem desencadear esse problema.

Para compreendermos melhor esses múltiplos fatores, recorremos ao artigo já citado “Síndrome da Ardência Bucal: avaliação e tratamento”, que explica detalhadamente os conceitos de fatores locais, psicológicos, neuropáticos e sistêmicos.

Fatores locais

Nesse artigo, consta uma pesquisa que, entre os pacientes diagnosticados com SAB, 50% têm próteses completas com desenhos inadequados. E, em 25% dos casos, a confecção de uma nova, feita corretamente, pode aliviar a sensação de queimação.

Há também indicações que as próteses com alto índice de monômero residual também podem ser um dos fatores que potencializam o surgimento de ardência bucal. Entretanto, é ressaltado que existem estudos em que não há relatos de reações alérgicas à resina acrílica como causa importante da SAB.

O bruxismo também surge como um dos fatores locais, considerando que o paciente, com frequência, força a língua em direção aos dentes, o que pode ser uma das causas da síndrome. Porém, ainda não está totalmente esclarecido se a parafunção é secundária à SAB ou apenas parte.

Fatores psicológicos

Os fatores psicológicos têm grande peso quando falamos da etiologia da síndrome. O artigo explica que há diversos estudos que fazem essa associação e que estimam que entre 19% e 85% de pacientes com SAB têm depressão (sendo a desordem psicológica mais predominante) e ansiedade.

Alguns aspectos que são relevantes e que podem contribuir para o agravamento dos sintomas são sentimentos como raiva, hostilidade, impulsividade e vulnerabilidade ao estresse, ou seja, pessoas que se irritam facilmente.

Um ponto importante a se ressaltar é que nem sempre esses fatores psicológicos estão presentes como causa da síndrome, e sim como consequência, já que a depressão e outras desordens são comuns em pacientes que sofrem de dores crônicas.

Fatores neuropáticos

Quando o assunto são dores crônicas, uma das causas são os fatores neuropáticos. Mesmo não havendo qualquer dano em tecidos, existe uma disfunção nas vias que transmitem dor e, portanto, acontece essa transmissão permanente.

Alguns estudos sugerem que o que pode estar envolvido na patogênese da síndrome é uma disfunção neuropática primária como um mecanismo central com envolvimento de receptores de dopamina localizados no gânglio basal.

Condições neuropáticas podem ocorrer na síndrome por dano direto do nervo trigêmeo ou de outros nervos cranianos que afetam indiretamente a atividade nociceptiva oral.

Fatores sistemáticos

Algumas literaturas não fazem conexão com a SAB e alterações médicas específicas, entretanto, pode ser associada a condições sistêmicas. Entre elas, podem ser citadas alterações nas glândulas salivares causadas pelo uso de medicamentos (como os receitados para pacientes com fibromialgia e irradiação), mudanças endócrinas e deficiências nutricionais.

Próteses mal elaboradas podem causar a sensação de queimação e boca seca presentes na Síndrome da Ardência Bucal.

Medicações como anti-histamínicos, antidepressivos e anti-retrovirais, quando usadas por longo período, podem reduzir o fluxo da saliva e, até mesmo, danificar de forma permanente as glândulas salivares.

Tipos de SAB

Além de conhecer a etiologia da síndrome, é preciso saber que ela pode ser dividida em três grupos, a tipo um, dois e três. Essa separação é feita considerando os níveis de dor que o paciente sente, como explica o artigo “Síndrome de Ardência Bucal: uma revisão da literatura”.

SAB primária

Com prevalência de 35%, a etiologia é desconhecida e, portanto, causas sistêmicas não podem ser identificadas. O paciente relata dor todos os dias, entretanto, ele acorda sem ela, mas, ao decorrer das 24h, vai surgindo e, ao chegar a noite, é intensa.

SAB secundária

Diferencia-se pelo conhecimento da etiologia, que pode resultar em condições patológicas locais ou sistêmicas suscetíveis à terapia. A prevalência é de 55% e, nesses casos, a dor é constante durante o dia e atrapalha o paciente a dormir.

SAB terciária

Tem prevalência de 10%. A dor é descontínua, ou seja, pode surgir em alguns momentos do dia e atinge locais incomuns, como mucosa bucal, assoalho da boca e da garganta.

Síndrome da ardência bucal: avaliação e tratamento

Após conhecer as características da síndrome e um pouco da etiologia, o cirurgião-dentista ficará mais esclarecido sobre como conduzir o diagnóstico — embora isso não signifique que será fácil. Afinal, sem sinais clínicos ou neurológicos, a dificuldade em encontrar uma resposta concreta aumenta.

Para começar, é interessante que seja feita uma análise do histórico médico, odontológico e psicológico do paciente para levantar algumas hipóteses. Após isso, pode ser realizado um exame da mucosa bucal e dos dentes. Por último, é importante considerar próteses e oclusões.

Se na segunda e terceira etapa encontrar algum resultado, o ideal é que o restante do procedimento seja focado nesse diagnóstico. Caso contrário, se tudo estiver normal, é necessário dar início aos exames laboratoriais — glicemia, cultura de fungos, hemograma completo, níveis de vitamina e ferro, alergias a propilenoglicol e alérgenos dentais.

Caso algum resultado dê positivo nessa fase, aprofunde o diagnóstico a partir disso. Entretanto, se tudo resultar como negativo, foque em eliminação de irritantes orais, com a suspensão de medicamentos que causem xerostomia e, se for necessário, a prescrição de reposição hormonal e de nutrientes.

Ao fazer a anamnese, é fundamental levantar o histórico de dor: quando se iniciou, qual a duração, onde fica situada, em quais situações ela piora ou ameniza, existe alteração perante alguns alimentos, sente que muda conforme a realização de tarefas do dia a dia etc.

Uma boa anamnese é fundamental para um bom diagnóstico e para saber quais os medicamentos para Síndrome da Boca Ardente devem ser receitados.

Nesse momento, também é importante levantar o uso de medicações, hábitos do paciente, se tem alguma doença sistêmica, se tem depressão, ansiedade, cancerofobia ou índice de estresse.

Fique atento! Se a mucosa estiver normal, sem lesões mas há sintomas de queimação, esse pode ser um indício de Síndrome de Ardência Bucal.

Tratamento

Não só o diagnóstico é delicado, como o tratamento também. Nem sempre ele irá agradar aos pacientes e, portanto, é necessário que o cirurgião-dentista explique que essa é uma síndrome difícil de obter resultados positivos e, por vezes, não é possível fazer com que ela desapareça, apenas amenizar os desconfortos.

Para evitar frustrações por parte do paciente e a sensação de descaso, também é necessário que o dentista mostre empatia e que acredite no relato de dor e ardência.

Trabalhar de forma multidisciplinar com profissionais da medicina também é de grande ajuda, já que haverá mais pessoas envolvidas no processo em busca de respostas e com soluções para oferecer mais tranquilidade ao paciente.

Para o tratamento, pode haver o uso de medicação, como também de terapias, como acupuntura e laserterapia.

No caso de pacientes estressados, ansiosos ou com depressão, é importante incentivá-lo a procurar um psicólogo para receber terapia cognitiva comportamental.

Além das dicas neste conteúdo, é importante que cirurgiões-dentistas não fiquem apenas com os conhecimentos da graduação e de um curso de especialização.

Buscar a leitura de bons livros, acompanhar revistas acadêmicas e participar de imersões e outras oportunidades de estudo é fundamental para compreender melhor os pontos técnicos da síndrome e o que a ciência sabe até agora.

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Comentários

  1. fabio fernandes disse:

    olá, minha mãe fez um implante e sua borca arde. a parte de baixo é fixa e na superior não foi possível a inserção de parafusos (para não atingir algum seio da face). os sintomas aumentam quando ele coloca a prótese superior. o dentista a está indicando para um otorrinolaringologista. mas, a anamnese indica reação ao material (segundo ele, importado e de máxima qualidade). podem me orientar a respeita da conduta diante este caso?

    1. Olá, Fábio! Tudo bem?
      Infelizmente, não podemos prestar orientações sobre esse tipo de situação, que diz respeito à saúde de um paciente.
      Aos nossos leitores indicamos que busquem ajuda de profissionais da saúde que atuam com ardência bucal, como o odontologista e o otorrinolaringologista. Afinal, a síndrome pode ser causada por diversos aspectos e é necessário uma boa investigação.

      Desejamos tudo de bom e agradecemos o comentário. Abraços!

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